Dos hashis personalizados em Tóquio às lendárias facas de Seki
O amor pela cozinha ganha novos significados no Japão. Afinal, além da gastronomia deliciosa, as tradições culinárias japonesas carregam uma bagagem histórica riquíssima, refletida diretamente nas louças, nos hábitos à mesa e, claro, nos utensílios de cozinha.
Os hashis, por exemplo, nos conduzem naturalmente a um ritmo mais cuidadoso, funcionando quase como um “lembrete silencioso”: é preciso apreciar cada ingrediente e valorizar todo o preparo da refeição.
No Templo Sensoji, em Tóquio – considerado o templo mais antigo e icônico da capital, famoso por sua imensa lanterna vermelha no Portal Kaminarimon – tradição e comércio se misturam. Nos arredores do templo, há mais de 90 lojas tradicionais.
Em uma dessas lojas, que mais me chamou a atenção, é possível personalizar o seu próprio hashi. O processo é rápido e, além da opção de gravar o nome em caracteres ocidentais, há também a possibilidade de personalizá-lo em japonês. Mais do que um simples presente, essas peças se transformam em histórias vivas à mesa.
A herança dos samurais no corte
Essa imersão cultural não se resume apenas aos hashis. As facas japonesas são sinônimo de qualidade máxima, com uma história que remonta aos tempos dos samurais, fortemente ligada ao design das lendárias espadas katanas. Toda essa precisão transformou as facas japonesas na primeira escolha de grandes chefs e entusiastas da culinária ao redor do mundo.
Para esses apaixonados pela cozinha, a cidade de Seki, em Gifu, é um verdadeiro paraíso. Durante minha visita ao Japão, conheci duas fábricas com propostas totalmente diferentes na região.
Fábrica Kiseki: inovação e precisão
A primeira foi a Fábrica Kiseki, reconhecida por sua tecnologia revolucionária. Suas lâminas de metal ultra-resistente são afiadas com discos de diamante, sob um sistema contínuo de resfriamento a água. O resultado? Um corte cirúrgico e uma durabilidade superior ao mercado tradicional.
O grande diferencial de um tour guiado por lá é a oportunidade de adquirir uma faca localmente – um privilégio, já que a fila de espera para os próprios japoneses pode chegar a um ano. Na Kiseki, o ambiente é mais industrial: além de observar as máquinas em funcionamento, você pode testar a qualidade do corte no local.
Seki Sword Museum: tradição moldada a ferro e fogo
O contraste perfeito surge em seguida. Ao chegar ao Seki Sword Museum, somos imediatamente surpreendidos com uma demonstração ao vivo, onde um mestre cuteleiro exibe o processo de forja e afiação das katanas de Seki – as mesmas espadas que conquistaram os samurais no período Sengoku.
Além do espetáculo, o museu é o único lugar onde se pode observar todo o processo de produção manual, com a possibilidade de experimentar, ainda que por instantes, a arte de martelar o metal. Para produzir uma única faca artesanal são necessários, no mínimo, trinta dias de trabalho dedicado, o que transforma cada peça em algo único.
Uma joia para a cozinha
Adquirir uma faca fabricada no Japão é garantir uma verdadeira joia para o seu acervo. Mais que um utensílio, ela representa a promessa de durabilidade que atravessa gerações, transformando o ato de cozinhar em um ritual de respeito ao tempo e à história.

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