Milão, alpacas de grife, queijos, vinhos e uma estrada de cartão-postal
Tem viagens que a gente faz para ver lugares, e tem viagens que a gente faz para se lembrar de como é bom viver devagar. Conhecer as Dolomitas foi a junção das duas coisas.
– Akemi Yamashita
Começamos em Milão, pegamos o carro e seguimos em direção às montanhas, passando pelo Lago di Garda e por algumas das paisagens mais bonitas do norte da Itália. No caminho, encontramos hotéis cheios de personalidade, uma família de alpacas com nomes de grife, muitos queijos, vinhos, chocolates e até cachorrinhos que fizeram parte da viagem.
Milão: o portão de entrada
Alugamos o carro em Milão, com retirada e devolução na cidade, e usamos a capital italiana como ponto de partida para a viagem.
Ficamos no Duomo Hotel & Apartments, que tem uma localização excelente para quem quer estar perto das principais atrações. Aqui vale uma dica importante: se você estiver considerando o apartamento de dois quartos, tenha atenção à categoria escolhida. A opção que não é suíte precisa de uma reforma e é bem diferente das suítes, que têm uma proposta muito mais bonita e confortável.
O ponto alto é mesmo estar no coração de Milão. A Galeria La Rinascente, por exemplo, fica pertinho e merece uma visita. O rooftop do prédio também é uma ótima pedida para terminar o dia. Sentar para tomar um drink com o Duomo ao fundo, especialmente no fim da tarde, é daqueles momentos que fazem a viagem começar muito bem.
Também aproveitamos para conhecer o Rocco Forte, com seu lobby elegante e a impressionante claraboia, e almoçamos no Polo Bar do Ralph Lauren Café, uma parada mais descontraída entre os passeios pela cidade.
A caminho: uma pausa no Lago di Garda
Na ida, paramos no Lago di Garda, mais precisamente em Sirmione, para almoçar no Almería Ristorante. Foi o tipo de parada que não estava nos planos como destaque, mas que acabou virando uma lembrança à parte — o lago azul, o sol batendo na mesa, a sensação de que a viagem de verdade estava só começando.
Dolomit Boutique Hotel
Chegamos às Dolomitas e a primeira parada foi o Dolomit Boutique Hotel, onde ficamos apenas uma noite — mas que noite. Nos hospedamos numa villa de cinco quartos, super equipada e aconchegante, com aquele tipo de conforto que faz você se sentir em casa.
O restaurante do hotel é administrado pela família, e o pai — um senhor de 85 anos, uma graça — ainda fica no departamento de reservas. Há algo profundamente bonito em ver um lugar assim, onde a hospitalidade passa de geração em geração.
Coco, Jil, Miu, Gucci e Fendi — os nomes das alpacas que vivem no luxo do hotel.
E então, as alpacas. Uma família inteira delas, vivendo entre os jardins do hotel, com nomes que parecem saídos de uma vitrine de grife. Os hóspedes podem caminhar com elas pelos gramados — uma cena tão inusitada quanto encantadora.
Na villa, uma poltrona toda feita de ursinhos de pelúcia rouba a cena, e a vista da mesa de jantar para os pinheiros tem algo de cinema — daquelas que parecem cenário armado, mas é só a paisagem local mesmo, generosa.
Ciasa Salares: um mundo à parte
Depois seguimos para o Ciasa Salares, onde ficamos por duas noites e a sensação foi de ter entrado em outro ritmo de vida. O dono do hotel, Clemens Wieser, nos guiou por um passeio que parecia mais uma aula de sensações do que um tour: a sala de degustação de queijos, a sala de vinhos e outras milhares de bebidas que ele guarda com carinho, e uma sala dedicada a 152 tipos de chocolates do mundo inteiro.
A comida, que ele mesmo serve e supervisiona, é algo do outro mundo. Dá para sentir o cuidado em cada prato, a curadoria de quem realmente ama o que faz.
O hotel é pet friendly, e conviver com os cachorrinhos que circulam por ali é outro capítulo à parte dessa estadia. À noite, as pessoas se reúnem para jogar baralho, num passo lento, quase sempre na companhia de algum cachorrinho ao lado. A vida ali passa devagar e é exatamente essa a graça!
Há uma mistura de influências austríaca, alemã e italiana em cada detalhe do Ciasa Salares — na arquitetura, na comida, no jeito de receber. É como se o hotel tivesse escolhido o melhor de cada um desses mundos.
La Perla, em Corvara
Em Corvara, visitamos cerca de dez quartos do hotel La Perla — um passeio que valeu por si só para entender a variedade de estilos e atmosferas que o hotel oferece, dos quartos mais clássicos aos mais contemporâneos, cada um com sua própria personalidade.
De Corvara a Ortisei: a estrada mais linda
Entre todas as experiências da viagem, se tivéssemos que escolher um dos trechos mais bonitos, seria a estrada entre Corvara e Ortisei. Uma das mais bonitas que já vimos — um cartão-postal a cada curva, com montanhas se revelando aos poucos, vales verdes e aquela sensação de que o caminho importa tanto quanto o destino.
No fim, o que fica dessa viagem não são só os quartos bonitos ou as refeições impecáveis — é o ritmo. É a família que ainda administra o próprio restaurante depois de décadas, o dono de hotel que te mostra pessoalmente sua coleção de chocolates, as alpacas com nomes de grife pastando tranquilas, e uma estrada de montanha que parece ter sido feita para lembrar a gente de olhar em volta.
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